Desfiando a Abertura da 3ª Temporada de Diários de uma Apotecária

Se existe uma coisa que Diários de uma Apotecária sabe fazer muito bem é esconder informação onde menos esperamos. E a nova abertura parece seguir exatamente essa mesma lógica.

E ela simplesmente parou a internet!

A música “Kumo o Nuke Kazashimo e Watashi dake”, cantada pela Yorushika, tem uma melodia animada e é marcada por toques de instrumentos tradicionais chineses.

Mas o que chamou a atenção foi a quantidade de símbolos, elementos e informações que as imagens trazem, fazendo com que a abertura por si só já fosse um espetáculo a parte. É semiótica pura!

Vamos destrinchar parte por parte desse vídeo, com base nas minhas próprias percepções, mas lembrando que terão spoilers — até porque a própria abertura não é spoiler free! (Prometo não me aprofundar muito neles.)

1. A praga dos gafanhotos

Logo de início, já temos menção de um grande pivô para os acontecimentos dessa temporada e das temporadas futuras.

Notem que há um total de quinze livros, e isso será mencionado ainda no início, já que a Maomao estará à procura do 15º livro: o que fala sobre os gafanhotos.

Podemos ver uma cena do Jinshi com um enxame de gafanhotos atrás. Ele nunca negou a possibilidade dessa catástrofe, buscando incessantemente formas de prevenir maiores danos.

2. Jinshi e a Lua

O Jinshi, assumindo a posição de irmão do imperador, será chamado a partir de agora de “Tsuki no Kimi”, o Príncipe da Lua. Essa denominação existe porque, apesar de seu nome verdadeiro ser Ka Zuigetsu, ninguém além da própria família imperial próxima pode se referir a ele pelo nome.

Portanto, se você ficou curioso com a quantidade de referências à lua, está aí a resposta.

O imperador chama o Jinshi de “Zui” e a Ah Duo o chama de “Yue”
A lua sempre acompanhando a Maomao

A lua também pode ser vista no reflexo dos óculos do Lahan, que, por sua vez, está com um sorrisinho de quem teria muitos filhos com o Jinshi, se pudesse.

Isso é canônico. Juro.

3. Maomao e Jinshi

A relação do Jinshi com a Maomao vai sofrer grandes mudanças nessa temporada. O Jinshi já mostrou explicitamente seus sentimentos e a Maomao… continua sendo a Maomao.

Aqui, temos a Maomao olhando fixamente para o Jinshi. Em seguida, a nuvem se dissipa, revelando a lua, como uma analogia ao fato de que, agora, ela tem ciência de quem está por trás do “eunuco Jinshi”.

O olhar da Maomao me transmite muitos sentimentos, mas principalmente descobertas e incertezas.

Sabemos que a Maomao é uma personagem extremamente duvidosa como narradora; o que ela fala nem sempre condiz com o que ela sente. Por isso, a forma como ela enxerga o Jinshi e a relação entre eles deve ser lida através de pistas, olhares e das pequenas contradições que ela deixa transparecer.

Essa expressão dele aqui já denota o peso que precisará carregar de agora em diante e os muitos obstáculos que terá que transpor — um desses, a própria Maomao.

Muita gente deve ter estranhado o Jinshi com vestes mais simples, franja de lado e o que parece ser uma cicatriz de queimadura. Esse é o disfarce que ele usa para poder viajar até a capital oeste sem chamar a atenção.

É interessante que essa cena tem uma continuação na abertura, pelo menos, na minha interpretação.

Depois que a “lua” é revelada, o Jinshi aparece com roupas imperiais e olha para trás, em direção à Maomao. Notem que a distância entre eles parece maior — de fato, a posição como irmão do imperador não dá a ele a relativa liberdade que ele gozava antes.

Gostei particularmente do detalhe na mão esquerda da Maomao, que está levantada para, em seguida, deixá-la cair. Pensei em diversas interpretações para esse gesto, mas talvez a percepção da diferença que ela entende que exista entre ambos seja o que melhor exprime essa parte, a meu ver.

4. Ambiente

Vocês devem ter percebido que os cenários exibidos na abertura diferem muito das temporadas anteriores, que se limitavam, em grande parte, ao palácio interno.

A lua invicta na maioria das cenas

Um dos palcos da terceira temporada será a capital oeste, um local mais árido, próximo do deserto, que sofre grandes influências culturais de países vizinhos.

5. Chou-u e sua arte

As três princesas da Casa Verdete aparecem na arte do Chou-u.

(Achei pesado ele ter caprichado nos peitos? Achei, mas ele só copiou o que viu.)

Os desenhos do Chou-u serão importantes mais adiante, já que ele consegue diferenciar os gafanhotos “inago” dos “batta”.

Na imagem, temos dois personagens secundários. Ukyo, um guarda super confiável da Casa Verdete, e já conhece a Maomao desde novinha, e também a Zulin, uma aprendiz de cortesã e fiel escudeira do Chou-u.

6. Sazen

Um personagem relevante para a história é o Sazen, o guarda que levou a Maomao para Taibon (a cela com cobras) na temporada passada, e, pela short story canônica, foi o responsável por salvar a Shisui, além de ter ido para a capital imperial a pedido dela.

O Sazen vende alguns dos livros que estavam na fortaleza, e é graças a um deles que a Maomao consegue mais informações sobre os gafanhotos. Os livros foram escritos pelo apotecário que trabalhava lá antes, um dos desenvolvedores da medicação que simula a morte.

Notem o cuidado que ele tem ao manusear o objeto; o respeito que sente pelo conteúdo e pelo autor dos livros é visível. E ele pretendia comprá-los de volta assim que tivesse dinheiro.

Na verdade, o Sazen tem um certo conhecimento sobre o ofício de apotecário. Mais adiante, ele se tornará aprendiz da Maomao, já que ela precisará de alguém para tomar conta da apoteca enquanto ela está fora.

7. A troca

Neste tópico, vou me limitar apenas a dizer: para um bom entendedor, um pingo é “i”.

Temos a Anshi e a Ah Duo, ambas segurando uma “lua”. A lua da Ah Duo, no entanto, se apaga.

Reparem bem no carinho com que a Ah Duo segura sua “lua”, seu “Yue”, antes de entregá-lo à Anshi.

8. O clã Ma

Esse com roupas imperiais é o Basen. Assim como o Jinshi se disfarçou para poder viajar, o Basen acabou tendo que se passar pelo Príncipe da Lua durante o trajeto.

O interessante desta cena é o Basen aparecendo com os cavalos. Não apenas são o meio de transporte para levá-los à capital oeste, mas o kanji usado para o clã Ma, do qual ele faz parte, é 馬, que significa… sim, cavalo.

E também porque o Basen era um cavalo com a Maomao, então combina bem.

Uma curiosidade é que o kanji do clã Ma pode ser lido como “Ba” também. Por isso o nome dele é Basen, o do irmão é Baryou, e o da irmã é Maamei. Esses dois últimos personagens aparecem posteriormente.

Ué, mas por que o Gaoshun não tem “Ba” nem “Ma”? Essa explicação vai ficar para depois.

9. Cartas pequenas

Rikuson é um dos personagens mais aguardados desta temporada. Ele aparece em apenas uma cena na abertura, mas reparem que ele está lendo uns papéis menores.

Não podem ser documentos oficiais, pois sabemos que esses materiais vêm em outros formatos, como pergaminho ou folhas maiores.

Essas pequenas cartas serão extremamente importantes no futuro.

10. Kanzashi

O enfeite no cabelo da Maomao dará um sabor especial à história.

Para evitarmos spoilers, creio que basta dizer que ele tem um formato de lua e uma flor de papoula — irônico? Talvez não.

11. A maçã e a serpente

A serpente branca será abordada na história não como um elemento metafórico, mas como uma entidade divina.

A minha surpresa, no entanto, foi ver que a serpente apareceu logo após a cena com uma maçã.

Apesar de símbolos bíblicos não serem tão difundidos no Japão quanto o são no Ocidente, as visões da maçã e da cobra como representações de tentação, desejo e transgressão são bem conhecidos.

Para os leitores da light novel, é fácil correlacionar esses sentimentos com o passado da Ah Duo e do You (atual imperador, também chamado de Yang), assim como com o modus operandi da Pai Nyan’Nyan, a Dama Branca, como veremos breve.

Apesar de ser uma opinião própria, dada à riqueza de detalhes dessa abertura, dificilmente a presença tão próxima da maçã e da serpente seriam por acaso.

A papoula aparece desabrochando e sendo mordida pela cobra, em seguida. Essa flor tem um papel essencial no decorrer da trama, principalmente devido à substância ativa que é extraída dela, o ópio.

12. Lishu matando um leão por dia

Pensa numa criatura que sofre?

A Lishu passará por poucas e boas nessa temporada, mas são esses acontecimentos que vão levá-la a novas oportunidades, novas descobertas e, principalmente, novos encontros.

13. Estufa

Que felicidade poder ver a Ah Duo e a Suirei numa abertura!

Nesta cena, elas estão em uma estufa do palácio da capital oeste. Inclusive, será a primeira vez que a Maomao verá um cacto na vida!

14. Carícias

Quem não suspirou com a Maomao tocando a lua nas cenas finais não assistiu direito!

Algumas pessoas disseram que foi parecida com quando a Maomao acaricia a cicatriz do Jinshi — e, de fato, concordo plenamente. Mas, para mim, esse toque também transmite uma sensação de proteção — algo como: eu preciso te proteger! — ao mesmo tempo em que carrega uma leve, mas perceptível, pitada de sensualidade.

Será que estou vendo coisas? Será que o fato de estar escrevendo às duas da manhã esteja desalinhando meus sentidos? Será que estou enviezada por acontecimentos futuros?

Não sei. Sem uma confirmação oficial, não temos como saber ao certo o que é uma pista, uma escolha estética ou simplesmente uma coincidência.

E talvez seja justamente essa a graça: deixar a imaginação fluir, levantar nossas próprias teorias e olhar para cada detalhe com a atenção que uma obra tão cheia de nuances quanto Diários de uma Apotecária merece.

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