Entenda: O Golpe em Masami Kurumada
Yo! Considerado um dos maiores golpes aplicados da indústria do mangá, a traição que Masami Kurumada sofreu de seus assistentes e principalmente de seu gerente pessoal é permeada de detalhes sórdidos.
Em 2 de Setembro de 2026, Kurumada convocou uma estranha coletiva de imprensa. Autor recluso há anos, a convocação por si já foi notícia. De frente aos jornalistas, a coisa foi ainda pior do que se esperava. Aos 72 anos, ele anunciava que sofreu um golpe de seus funcionários de confiança, encabeçados exatamente pelo seu gerente, que cuidava de toda a operação de suas empresas.
O rombo era de aproximadamente 4,6 bilhões de ienes, cerca de 150 milhões de reais. Uma fortuna considerável. O motivo foi apenas ganância.
Como o caso ainda está na área cível, os golpistas sequer podem ser citados ou chamados de criminosos ou acusados. Portanto, Kurumada usou apenas a inicial de seu gerente. Mister M, assim como o Príncipe Negro dos Sortilégios, sabia como fazer as coisas sumirem. Contratado pela Shueisha, editora original de Kurumada, este empregado deveria auxiliar o autor. Quando sua divisão foi dissolvida, Kurumada o contratou diretamente. Ele ficou 15 anos sendo gerente e responsável pelas contas.
O golpe aconteceu assim: O tal Mister M isolou Kurumada aos poucos durante os anos. Para quem era de fora, Kurumada passou a ser visto como recluso e ranzinza. Nada de eventos, nada de entrevistas. Sem tempo para encontrar sequer outros artistas e mesmo os editores eram escolhidos a dedo. Alguns deles também estão na lista de envolvidos. Para Kurumada, ele estava sendo protegido. Seu foco seria criar e administrar suas obras.
Mister M então começou a lidar com todos os aspectos das empresas de Kurumada. Jurídico, contábil, agenda… Ele pagava as contas, controlava os assistentes, cuidava de tudo. E se aproveitou disso para criar um caminho alternativo na entrada de pagamentos por royalties. Ele criou uma empresa com o nome parecido com a que gerenciava esses ganhos e instruiu os clientes a depositarem na conta da nova empresa. Como prova, ele é o presidente da tal empresa.
Além disso, ele fazia depósitos das empresas de Kurumada para suas contas pessoais e de parentes. Por fim, ele fez muitas transações em criptomoedas.
Como Kurumada confiava muito nele, sequer checava as contas ou via qualquer planilha. Seu foco era ser artista. E o gerente cuidou para que os assistentes aceitassem suborno para continuar roubando. Muitas vezes, ele os levou para noitadas regadas de champagne caro e com mulheres. Milhões de ienes em uma única noite, tudo pago em armaduras de ouro.
O plano parecia perfeito, mas um deslize fez com que tudo fosse por água à baixo. Em 2024, o órgão responsável pelos impostos da região de Tokyo foi investigar os atrasos de pagamento do artista. Suas empresas e sua carreira foram colocadas em risco, mas apenas assim que Kurumada ficou sabendo que o dinheiro havia sido retirado. Suas contas estavam tão vazias que sequer poderiam pagar o imposto daquele ano. Ele e suas empresas estavam à beira da falência.
Autor de sucesso, Kurumada cresceu nas páginas da Shonen Jump, convivendo com duas lendárias gerações. Começou a carreira dividindo páginas com Ikki Kajiwara, Buichi Terasawa e Hiroshi Motomiya. Ele foi assistente deles no início, fora Terasawa, que cresceu junto. Depois, fez parte da geração conhecida como a Era de Ouro da Shonen Jump, sendo um dos pilares dela durante sua formação.
Em 1988, devido ao sucesso comercial de Cavaleiros do Zodíaco, ele se tornou a pessoa mais rica em toda a indústria do mangá, de acordo com a lista de imposto de renda, método que era usado no Japão na época.
Já ouvi falar que os mangakás mais ricos não são exatamente os que vendem mais mangás ou os que têm animes populares, já que o dinheiro que vem dessas fontes é muito dividido entre editora, estúdio, assistentes, etc. Aqueles que sentam na grana mesmo são os que têm produtos licenciados. E Kurumada nunca parou de vender agregados. Sejam os Myth Cloths caríssimos, sejam produtos de vestuário e outros que têm uma margem menor mas um alcance muito maior, as séries de Kurumada, principalmente Cavaleiros, nunca pararam de render dinheiro.

Mas desde que o golpe foi descoberto, Kurumada precisou parar toda entrada de dinheiro até reaver o controle dos royalties. Cancelou inclusive a exposição de sua arte, que comemoraria os 50 anos de carreira de Masami Kurumada, porque a empresa que lucraria com isso estava em nome do tal Mister M.
Em sua declaração, Kurumada disse:
Eu nunca encontrei pessoas desonestas na indústria do anime e mangá… Ver alguém trair minha confiança facilmente por pura ganância me enche não apenas de raiva, mas me deixa extremamente desapontado.
Deixando claro que o problema não é apenas dinheiro, o artista ainda prometeu que daria o montante para doação assim que recuperá-lo.
Agora que o assunto está sendo resolvido, Kurumada retomou sua carreira e anunciou o retorno do mangá de Seiya.
Esperamos que, assim como em sua obra, um golpe não funcione duas vezes em um cavaleiro.
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