Terranigma e a espera de uma vida

Fonte: https://shop.clearrivergames.com/collections/terranigma

Depois da Square-Enix fazer a boa trazendo de volta o clássico roguelike de Torneko para plataformas modernas, agora é a vez da Clear River Games assumir os holofotes com a promessa de resgatar outra jóia rara da biblioteca do Super Famicom. Me refiro a Terranigma, o cultuado RPG de ação da era 16 bits, que tem seu port para consoles atuais e PC previsto para 14 de Janeiro de 2027. 

Lançado originalmente em 1995, exclusivamente para o Super Famicom da Nintendo, Terranigma (天地創造, Tenchi Sōzō) foi desenvolvido pela Quintet (ActRaiser, Soul Blazer, Illusion of Gaia) e publicado pela Enix, apenas no Japão. No ocidente, o game só chegaria um ano depois, em 1996, mas restrito a Europa e Austrália pelas mãos da Nintendo. Na ocasião, a Enix já havia encerrado suas operações na América do Norte, dificultando a chegada do título na região. 

Arte de capa da versão japonesa de Terranigma ou Tenchi Sōzō como é conhecido no Japão.

O anúncio de seu lançamento moderno pela Clear River Games, marca de maneira oficial, a localização de Terranigma para o público Norte Americano, que poderá desfrutar do game em diversas plataformas como Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series S /X e PC via Steam. Além disso, para o mercado Europeu e Norte-Americano, a publicadora preparou três formatos diferentes de mídias físicas: cópia padrão com efeito brilhante na capa, caixa metalizada e edição de colecionador. 

A edição Gaia de Terranigma tem tudo que um fã poderia querer, mas o bolso do pobre proletário aqui, não vai dar conta.

Como pobre mortal assalariado que sou, vou me contentar apenas com a cópia digital do game, pois me interessa mesmo é a experiência de jogá-lo pela primeira vez. Não sou entusiasta de edições especiais e do desespero envolvido para conseguir uma dessas. Quem tem acompanhado a pré-venda de The Legend of Zelda: Ocarina of Time de Nintendo Switch 2 no Brasil, sabe do que eu estou falando, não compensa emocional e financeiramente. 

A espera de uma vida 

Como disse há pouco, eu nunca joguei Terranigma, o relançamento de Clear River Games será a minha primeira oportunidade. Sendo assim, você pode estar se perguntando: por qual razão dedicar um artigo inteiro sobre ele? Bom, existem duas grandes razões para tanto, a primeira delas é a minha paixão pelo legado da Enix — a casa de Dragon Quest e outros clássicos do gênero RPG —  e a qualidade única dos seus títulos licenciados. A segunda razão, por sua vez, foi o comentário extremamente apaixonado sobre Terranigma feito por um amigo muito querido. Ele, assim como eu, por circunstâncias da vida, não pôde jogar o game na época de seu lançamento original, mas ao ficar sabendo da nova versão programado para plataformas modernas me enviou a seguinte mensagem: 

“私はもう、これがひたすら嬉しい。これを遊ぶことを目標にまだ生きていこうと思う。これがあそべたら、あとはもう死んでもいい。”

“Eu estou extremamente feliz com isso. Eu estive vivendo pelo momento de finalmente poder jogá-lo. Depois que conseguir fazer isso, não vejo problema em morrer”. 

Conhecendo meu amigo, Toyohiko e seu carinho imensurável por videogames, especialmente os clássicos, fiquei muito tocado pela felicidade dele. Arrisco dizer que a minha vontade de jogar Terranigma triplicou depois de conversarmos. Trata-se de um game que até então nunca havia visto nenhuma versão recauchutada e esteve preso no hardware original por mais de 30 anos. Não fosse pela emulação, muitos jogadores nem teriam conhecimento de sua existência. 

O mangaká, Kamui Fujiwara, responsável pelas artes do game original, faz parte do projeto de relançamento de Terranigma e desenhou novas artes para comemorar a ocasião.

Nesse sentido, compreendo e partilho do sentimento de alegria de todos por essa nova chance dada ao game através de meios oficiais. O relançamento não só oportuniza termos acesso ao título, como também promete algumas melhorias de qualidade de vida muito bem-vindas. Teremos um menu de acesso rápido a itens e magia, um minimapa para acompanhar o progresso na jornada, planos de fundo personalizados, reprodutor de músicas, opção de retroceder, de mapear botões, salvar onde quiser, além de um bestiário. 

A criação do Céu e da Terra

A empolgação ao falar do retorno de Terranigma foi tanta, que acabei não comentando sobre sua jogabilidade e trama, então vamos a isso! O game é um RPG de ação com ângulo de visão top-down, que em muito lembra The Legend of Zelda: A Link to the Past e Secret of Mana (聖剣伝説, Seiken Densetsu 2) para fins de comparação. A arma principal do protagonista Ark é uma lança mágica com a qual ele pode combinar diferentes movimentos, como pular e correr. 

Ark e sua lança mágica não estão para brincadeira! Ataque rápido e se mantenha atento aos inimigos que te atacam em tempo real.

Pelos trailers e vídeos de gameplay que assisti, cautelosamente, a fim de não receber maiores spoilers, Terranigma me parece bastante dinâmico e muito mais rápido se comparado com outros RPGs de ação de sua época. É de meu conhecimento que o título tem alguns picos de dificuldade em determinadas batalhas de chefe. Ainda bem, que de acordo com os executivos da Clear River Games teremos ajustes de balanceamento na nova versão. 

Quando a lança não for o suficiente, você pode contar com magias devastadoras!

Em relação a trama de Terranigma, ela é ambientada na Terra, uma esfera oca de dois lados: um lado Luminar externo e outro Umbroso interno. É no lado Umbroso, que se encontra o travesso Ark, jovem habitante da vila de Crysta, que vive alheio ao mundo além da sua realidade. Certo dia, ele acaba abrindo uma porta proibida e ao tocar numa caixa misteriosa acaba por congelar toda população de sua vila, exceto pelo Ancião. 

A fim de retornar a sua vila ao seu estado original, Ark é orientado pelo Ancião a partir numa jornada para restaurar os continentes da superfície terrestre. Acompanhado por Yomi, um demônio amigável, Ark segue então para cumprir com a missão e compreender os mistérios que cercam a criação do seu próprio mundo. 

O que o futuro nos reserva?

A depender de como venha a performar em vendas, o relançamento de Terranigma pode ser um incentivo para a própria Clear River Games correr atrás de outros títulos muito cobiçados pelos fãs, como Soul Blazer (1992) e Ilusion of Gaia (1993), ambos da Quintet e publicados no passado pela Enix. Há quem diga, que os três jogos formam uma trilogia não oficial, por partilharem conceitos parecidos e uma mesma equipe de desenvolvimento. 

Caso o sonho se torne realidade, eu aguardo ansioso por esses lançamentos num futuro próximo! Ainda existe uma quantidade considerável de títulos de Super Famicom pouco conhecidos fora do Japão que merecem a atenção do grande público e precisam ser preservados. Publicadoras do ocidente, vamos mexer os pauzinhos e resgatar mais dessas joias raras, fazendo o favor, né. 

Em tempo, a própria Clear River Games já anunciou que para 2027, além de Terranigma, teremos também a coletânea de Lufia I & II The Sinistrals Saga (エストポリス伝記 I & II, Estpolis Denki I & II), outra saga clássica dos RPGs japoneses que há muito estava esquecida. Desenvolvida pela Taito, a franquia nasceu no Super Famicom e teve alguns lançamentos mais adiante, mas encerrou sua carreira no Nintendo DS.  

A alegria do fã de JRPG já está garantida para 2027.

Fãs de JRPG das antigas de todo mundo, uni-vos! É tempo de fartura, irmãos e irmãs. Vamos aproveitar esse momento e agarrar as oportunidades, mas sempre mantendo o senso crítico e exigindo a melhor qualidade para esses relançamentos. 

Até a próxima!

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