Cem volumes e tantas histórias: Ikeyamada Go celebra um marco em sua carreira
A mangaká japonesa Ikeyamada Go (池山田剛) alcançou um marco importante em sua carreira: a publicação de 100 volumes de mangás, somando suas diferentes obras. A conquista coincide com o lançamento do terceiro volume de Make Heroine desu ga Kekkon Shimasu, em 26 de outubro de 2026, mais de duas décadas após sua estreia profissional, em 2002, na revista Sho-Comi, da editora Shogakukan.

Conhecida principalmente por seus romances shoujo, Ikeyamada conquistou leitores com histórias que misturam comédia, dramas adolescentes, primeiros amores e, principalmente, amadurecimento. Entre suas obras mais conhecidas estão Moe Kare!!, Uwasa no Midori-kun!!, Suki desu Suzuki-kun!! e Kobayashi ga Kawai Sugite Tsurai!!.
Para muitos leitores, a notícia representa uma conquista admirável de uma autora que continua produzindo histórias depois de tantos anos. Para mim, porém, esses 100 volumes carregam um significado um pouco mais pessoal.
E se tornar adulto, dói?
Em setembro de 2014, escrevi um texto no meu antigo blog chamado “E se tornar adulto, dói?”, no qual apresentei algumas das obras de Ikeyamada Go e tentei explicar por que suas histórias eram tão especiais para mim.
Naquela época, eu já havia acompanhado Moe Kare!!, Uwasa no Midori-kun!! e Suki desu Suzuki-kun!!, enquanto Kobayashi ga Kawai Sugite Tsurai!! ainda estava em publicação. Lembro que escrevi sobre como os personagens da autora começavam suas histórias quase sempre imaturos, descobrindo o amor, a amizade, a felicidade e, inevitavelmente, o sofrimento.

O que mais me encantava não eram apenas os romances, mas a maneira como o tempo passava dentro dessas histórias.
Os personagens cresciam. Erravam, sofriam, enfrentavam perdas e encontravam novos caminhos. Alguns começavam suas jornadas ainda na pré-adolescência e terminavam adultos, completamente diferentes daqueles que conhecemos nos primeiros capítulos.
Era possível acompanhar não apenas o nascimento de um romance, mas toda a transformação de uma pessoa.
Na época, eu achava fascinante ver personagens fictícios amadurecendo diante dos meus olhos. Talvez porque eu também estivesse tentando entender o que significava crescer.

Mais de 12 anos se passaram desde aquele texto.
E, enquanto os personagens de Ikeyamada continuavam vivendo suas histórias, eu também vivi a minha.
Muita coisa mudou. Fui morar no Japão, construí uma nova rotina, enfrentei as dificuldades e descobertas de uma vida adulta em outro país. Mas uma coisa permaneceu: continuei acompanhando os mangás de Ikeyamada Go.

Mesmo morando no Japão, onde tantas novidades são lançadas diariamente, sempre houve algo especial na expectativa por um novo volume da autora.
Era quase um ritual. Quando uma nova edição chegava às livrarias, eu pegava minha bicicleta e ia até alguma loja próxima para comprá-la. Voltava para casa com mais um pedacinho de uma história que acompanhava havia tantos anos.
Talvez, para outras pessoas, fosse apenas mais um mangá na estante. Para mim, era a continuidade de uma relação construída ao longo de uma parte significativa da minha vida.
Assim, acompanhei novas histórias, conheci novos personagens e me emocionei com outros finais. Vi protagonistas se apaixonarem, se separarem, encontrarem seus caminhos e construírem suas próprias famílias.
E, em algum momento desses últimos 12 anos, aconteceu algo que a versão de mim que escreveu aquele texto em 2014 talvez não imaginasse da mesma maneira.
Eu também me tornei mãe.
Hoje, quando penso nas histórias de Ikeyamada, é impossível não me lembrar daqueles personagens que conheci tão jovens e que, ao final de suas jornadas, também se tornaram adultos e, em alguns casos, pais.
Existe algo muito bonito em perceber que, enquanto acompanhávamos a passagem do tempo na vida deles, o tempo também passava para nós.
Talvez seja justamente por isso que essas histórias continuem tão importantes. Porque crescemos junto com os personagens e, quando voltamos a encontrá-los, também reencontramos versões mais jovens de nós mesmos.
Aos poucos, o que antes parecia apenas um romance adolescente acaba se transformando em uma lembrança de quem éramos quando o lemos pela primeira vez.

Cem volumes, muitas vidas
Agora, em 2026, Ikeyamada Go comemora seus 100 volumes publicados. São mais de duas décadas dedicadas aos mangás, inúmeras histórias de amor e personagens que encontraram um lugar especial na memória de seus leitores.
Ao olhar para essa trajetória, sinto uma gratidão enorme por ter acompanhado tantas dessas histórias, por ter torcido por tantos personagens e por ter tido a oportunidade de crescer ao lado deles.
Naquele texto de 2014, eu me perguntava se tornar adulto doía.
Hoje, depois de tantos anos, acho que continuo acreditando que sim.
Mas também aprendi que crescer significa encontrar novas formas de felicidade, descobrir sentimentos que antes não compreendíamos e reconhecer o valor das pequenas coisas que permanecem conosco ao longo do caminho.
Talvez seja exatamente isso que eu sempre tenha encontrado nos mangás de Ikeyamada Go.
Obrigada, Ikeyamada-sensei, por esses 100 volumes. Por tantas histórias, tantos personagens e tantas emoções.
E, principalmente, obrigada por permitir que eu acompanhasse o amadurecimento de tantos personagens enquanto vivia o meu próprio.
Espero continuar pedalando até a livraria para comprar seus novos mangás por muitos e muitos anos.

Todas as obras de Ikeyamada Go e seus volumes
Abaixo estão as obras publicadas em volumes encadernados individuais (tankōbon), começando pela série de estreia da autora:
- GET LOVE!! (GET LOVE!! ~フィールドの王子さま~) — 7 volumes
- Ookami Nanka Kowakunai!? (オオカミなんかコワくないっ!?) — 1 volume
- Moe Kare!! (萌えカレ!!) — 7 volumes
- Uwasa no Midori-kun!! (うわさの翠くん!!) — 10 volumes
- Suki desu Suzuki-kun!! (好きです鈴木くん!!) — 18 volumes
- Kobayashi ga Kawai Sugite Tsurai!! (小林が可愛すぎてツライっ!!) — 15 volumes
- Sekai wa Nakajima ni Koi wo Suru!! (世界は中島に恋をする!!) — 5 volumes
- Satou, Watashi wo Suki tte Barechau yo!? (佐藤、私を好きってバレちゃうよ!?) — 4 volumes
- Doukyuusei!! (同・級・生!!) — 10 volumes
- Isekai Maou wa Fujoshi wo Zettai Nigasanai (異世界魔王は腐女子を絶対逃がさない) — 7 volumes
- Retry Juliet!! (リトライジュリエット!!) — 5 volumes
- Takanashi-ke no Imouto wa Hanayome ni Naritai!! (小鳥遊家の妹は花嫁になりたいっ!!) — 8 volumes
- Make Heroine desu ga Kekkon Shimasu: Kono Naka ni Watashi no Otto ga Iru!? (負けヒロインですが結婚します~この中に私の夫がいる!?~) — 3 volumes (em publicação)
PS: A contagem de 100 volumes considera os volumes tradicionais de cada obra, sem incluir edições digitais divididas em capítulos, adaptações em light novel ou coletâneas de múltiplos autores.
Com o volume 3 de Make Heroine nas mãos, comemoro a carreira da Ikeyamada-sensei. Dentro dele, encontrei inclusive uma surpresa: uma ilustração do meu casal favorito, Hikaru e Arata (de Moe Kare) com seu filhinho no colo. Ela não faz ideia do quão significante essa ilustração se torna, junto a este singelo texto.